APTA - Associação Portuguesa de Teatro de Amadores

1967

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Descrição

“Em Dezembro de 1967, por iniciativa da Secção de Teatro do Grupo Cultural e Desportivo da Companhia Nacional de Navegação, do Grupo Cénico da 'Philips', do Grupo Ribalta, da Secção de Teatro do Grupo de Futebol dos Empregados de Comércio de Santarém e do Conjunto Cénico Caldense, formaram a Associação Portuguesa de Teatro de Amadores, APTA. Segundo, Carlos Oliveira, do Teatrinho de Santarém, 'a APTA, sob a direcção de Viriato Camilo, organizou-se a nível nacional em associações regionais, autónomas e descentralizadas, o que lhe trouxe dinâmica e desenvolvimento, estrutura e confiança. Porto, Setúbal, Santarém e Baixo Mondego, foram palco das primeiras associações regionais de teatro em Portugal. No sul do país, o número de grupos activos era muito mais reduzido. Em simultâneo, e para ampliar a sua actividade a outros países e tirar partido dos intercâmbios que levavam e traziam conhecimentos, a APTA estabeleceu parcerias com várias entidades, designadamente: CGTP – Intersindical, CPTIJ – Centro Português de Teatro para a Infância e Juventude, SPE – Sociedade Portuguesa de Autores. Igualmente, fez-se membro da AITA/IATA – Associação Internacional de Teatro de Amadores (Amesterdão), da UNIMA – União Internacional de Marionetas (Varsóvia) e da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos. Ao nível da divulgação, a APTA conseguiu, por volta de 1977, alguma projecção através dos programas televisivos 'TV-Palco', de Igrejas Caeiro e 'Fila-T', de Fernando Midões. Toda esta actividade não teve qualquer correspondência por parte dos organismos oficiais, designadamente da Secretaria de Estado da Cultura. Para esta falta de apoio terão contribuído algumas influências político-partidárias e parece ter havido jogos de política suja, com origem na Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio, que tentou chamar a si o protagonismo da coordenação nacional do teatro de amadores. As condições político- culturais agravaram-se e, inacreditavelmente, sentiu-se que o teatro voltava a ser considerado 'perigoso' pelo poder central. Nos fins dos anos 1970, o EMGFA – Estado-Maior General das Forças Armadas, ordenava a proibição do programa televisivo 'Fila-T', com a suspensão do seu responsável, Dr. Fernando Midões. Em causa estava a exibição da peça Guerra Santa, de Luís Sttau Monteiro, filmada em Santarém (os senhores generais não gostaram das críticas à sua postura face à guerra colonial). O medo voltou a pairar sobre as cabeças dos que faziam teatro, havendo quem abandonasse a actividade com receio de perder o emprego'. A partir de 1980, a desmotivação, a confusão e a diminuição do espírito associativo foi-se acentuando. As condições atrás referidas e o arrefecimento do entusiasmo da primeira hora resultaram numa crescente inactividade da APTA. Mesmo assim, em 1987, a organização ainda publicou o n.º 0 da Revista do Teatro de Amadores da APTA mas, dos 320 grupos recenseados, apenas 58 se mostravam activos. Segundo a informação do actual presidente da Federação Portuguesa de Teatro, FPTA, Rafael Vergamota: 'Quem presidiu à última direcção da APTA, foi Carlos Carvalheiro, actualmente actor e encenador do teatro Fatias de Cá (Tomar) e, a partir dos finais dos anos 1980, a APTA ficou inactiva. No decorrer do mês de Setembro de 2000, João Coutinho, da Companhia de Teatro do Ribatejo (Chamusca), convocou e dirigiu na Chamusca uma reunião com cerca de 60 grupos de teatro de amadores, oriundos de diversos pontos do país, com o objectivo de debater a situação do teatro de amadores em Portugal. No desenrolar daquela reunião, surgiu a ideia de criar uma nova estrutura. Assim, em 14 de Julho de 2003, pela mão do Cândido Xavier, do Cale Estúdio Teatro (Canidelo, Vila Nova de Gaia) e do Dr. Luís Mendes, foi constituída a Associação Nacional de Teatro de Amadores, ANTA'.”

José Fernando Oliveira Vaz
Teatro em Avintes : o Grupo Mérito Dramático Avintense e o Grupo Dramático dos Plebeus Avintenses : (1910-1974)
Dissertação de Mestrado em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Agrupamento

Associação Portuguesa de Teatro de Amadores

Autor

José Vaz

Participantes

Carlos Alberto Oliveira (Chona), Viriato Camilo, António Gomes Marques, Carlos Carvalheiro, João Coutinho, Cândido Xavier, Luís Mendes

Data

Dezembro de 1967

Parcerias

Secção de Teatro do Grupo Cultural e Desportivo da Companhia Nacional de Navegação, Grupo Cénico da “Philips”, Grupo Ribalta, da Secção de Teatro do Grupo de Futebol dos Empregados de Comércio de Santarém, Conjunto Cénico Caldense

Tipologia

Documento

Arquivo

Repositório Aberto da Universidade do Porto

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