
Boletim À Barca nº5, Dezembro 1975.
Eleita a primeira Direcção legal da APTA, só possível no após 25 de Abril, o que nunca poderemos esquecer, há que referir agora a forma como esta deu resposta a algumas das preocupações dos grupos de teatro de amadores.
Vejamos algumas das medidas concretizadas, com base nas informações contidas no boletim À BARCA citado no texto anterior desta série:
- Apoio a 78 grupos associados com material cénico e/ou com dinheiro, só possível com os subsídios concedidos pelo novo poder político. Estes 78 associados puderam, assim, realizar 1057 espectáculos, com cerca de 325.733 espectadores;
- Apoio aos Festivais de teatro de Santarém, Montemor-o-Velho e Évora;
- Apoio aos Cursos de Iniciação Teatral de Montemor-o-Velho e Rebelva;
- Apoio aos Grupos associados que integraram as Campanhas de Dinamização Cultural, dinamizadas pelo MFA, em várias regiões do país;
- Apoio aos Encontros de Setúbal e de Viseu, promotores da criação de Associações Regionais ligadas à APTA;
- Criação do Dia de Teatro de Amadores, fixado para 21 de Março, ficando a ser Portugal o único país a ter um dia de comemoração para os Amadores de Teatro. Lembremos que já estava instituído o Dia Mundial de Teatro, ainda hoje acontecendo a 27 de Março, no seguimento do que a AITA/IATA – Associação Internacional do Teatro de Amadores, tinha instituído, ou seja, promovendo a comemoração do teatro de amadores durante o período de um mês, mas com início no Dia Mundial de Teatro, organizando Festivais de Teatro de Amadores durante esse tempo em países diferentes;
- Edição de um Boletim, o À BARCA, onde se deu prioridade à divulgação de textos teóricos de teatro, elementos de formação técnica e teórica;
- Deu-se início à constituição de uma Biblioteca especializada;
- Enviaram-se textos de peças policopiados aos associados que os solicitaram;
- Colaboração com o INATEL e Direcção do Mercado do Povo em espectáculos com grupos de teatro de amadores, numa organização daquelas duas entidades;
- Colaboração com a RTP, área de serviço de teatro, no inquérito elaborado a propósito da encenação da peça «A Excepção e a Regra», de Bertolt Brecht;
- Apoio a dois membros do VETO – Teatro Oficina, de Santarém, para frequentarem o TIP – 75, Teatro Internacional para Jovens, uma organização da AITA/IATA, que reunia jovens de vários países integrados em associações filiadas naquela associação internacional, onde se realizavam várias oficinas versando as mais variadas actividades relacionadas com o teatro, e dirigidas por professores ligados/contratados à AITA/IATA. O TIP – 75 foi realizado na Irlanda, num convento de freiras, a cerca de 50 km de Dublin, com representantes de 10 países, tendo cinco professores e 59 alunos. Os alunos foram provisoriamente agrupados, dando-lhes a oportunidade de, num sistema rotativo, passarem pelas aulas de todos os cinco professores, para assim poderem escolher aquele em que ficariam a título definitivo. Os dois portugueses escolheram as aulas de Willem Jan Raymakers, de 27 anos - um pouco mais velho do que alguns alunos, dado que estes tinham idades compreendidas entre os 18 e os 26 anos -, professor de Sociologia, na Academia de Kopse Hof, na Holanda.
- Em 1978, sendo eu, na altura, o Presidente da Direcção da APTA, realizou-se um TIP em Portugal, entre 30 de Julho e 17 de Agosto, na cidade de Santarém.
Com tão notável acção, a primeira Direcção legal da APTA deu um notável contributo para difundir e cimentar a acção dos grupos de teatro de amadores e da sua Associação em todo o país.
Pouco tempo depois da sua legalização, o número de associados na APTA já se aproximava dos 150, com pedidos de inscrição a chegarem à sua sede a um ritmo quase diário. Poucos anos depois, o seu número atingia as várias centenas.